Opinião

Inteligência fiscal: como pagar menos impostos

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As reformas tributárias não param de acontecer. Independente do caos político e econômico do país, o que nunca deixa de impactar o brasileiro é o peso dos tributos cobrados. O governo fica com grande parte do que produzimos, seja produto ou serviço, e somos donos de uma das maiores cargas tributárias do mundo.

Estar 100% dentro da lei, estar em dia, custa caro ao empresário e mata muitas empresas que, com razão, optam por fazer tudo “dentro dos conformes”. Isso é prova de que a gestão brasileira dessa situação é mal feita, e uma reforma é necessária, mas uma que realmente ajudem o cidadão a se manter, não apenas deem um jeito de tirar mais um pedaço do pouco que se ganha.

Alguns empresários caem na “tentação”. E com os mais novos e diversos meios de se monitorar as empresas, se condenam ao crime e consequentemente a serem pegos. O pior é que o famoso “jeitinho” está tão enraizado que eles se esquecem que é possível tomar outras atitudes que os ajudam a lidar com a carga tributária, sem ir para a ilegalidade.

Sonegar é crime, e em um sistema onde tudo é digital, esconder a sonegação é tarefa homérica e fadada ao fracasso. Quando se insiste nisso, inclusive se impede a empresa de crescer, pois não há como justificar crescimento sem dados que mostrem que ele ocorreu de forma natural. Em alguns casos empresas se tornam reféns de funcionários que ameaçam denunciá-la se forem mandados embora, por exemplo.

Ou seja, são contras demais para se levar algo assim adiante. Mas a alternativa não é falir, ou deixar de abrir sua empresa. Para começar é interessante ter um assessor contábil competente a seu lado. O contador é estratégico para empresas de qualquer porte, e é ele quem vai ajudar a construir uma inteligência fiscal para a empresa, que vai possibilitar mantê-la viva e prospera.

É preciso estar dentro de um regime tributário adequado e correto. Nem sempre, mesmo com faturamento pequeno, deve-se permanecer no Simples Nacional, por exemplo. É preciso analisar isso anualmente, e para isso é preciso ter um controle fiscal primoroso dentro da empresa. Às vezes se paga mais imposto, simplesmente por estar confortável em uma categoria tributária e não estar realmente alinhado com o regime que melhor representa sua empresa.

Além disso, mesmo permanecendo no Simples, é preciso verificar os benefícios fiscais previstos nas operações feitas, inclusive considerando que há alguns isenções que podem ser adquiridas. Com as mudanças envolvendo o ICMS, isso deve ser visto de forma profissional para garantir que nada seja feito de qualquer jeito. Outro ponto de atenção é sempre verificar se o produto comprado não ultrapassa os 40% de seu conteúdo em importação, na cotação do preço.

Uma alternativa mais complexa, porém bem interessante é dividir a empresa. Repensando a estrutura é possível dividir o objeto da empresa em empresas menores e responsáveis por fazer diferentes da produção. Os regimes serão mais atrativos para cada uma delas, gerando ganhos em alguns pontos. Isso deve ser feito sob estrita e complexa análise contábil. É possível ainda diminuir o pró labore para implantar a distribuição de lucros isentos aos sócios.

No final de contas, há diversas opções a serem estudadas se considerada uma parceria real entre contador e cliente. Há pontos municipais, estaduais e federais a serem analisados e estudados, e isso faz diferença. Quem mantem seus negócios na informalidade pensa estar economizando, mas isso só amplia os riscos que a empresa corre, inclusive de práticas de desvio e corrupção que podem leva-la a falência ou a ter problemas com a justiça.

Não vale a pena correr riscos. Com inteligência e estratégia é possível fazer com que a parceria entre contador e empresa seja a chave para pagar menos tributos e possibilitar um crescimento saudável ao negocio.

Texto adaptado. Original por Marcelo Lombardo, CEO da Omiexperience.

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