Entrevista

Certificação Digital – entrevista com Leonardo Gonçalves, diretor de Varejo e Canais da Certisign

Leonardo Gonçalves, diretor de Varejo e Canais da Certisig

A Certificação Digital nada mais é do que um arquivo eletrônico que funciona como se fosse uma assinatura digital, com validade jurídica, e que garante proteção às transações eletrônicas e outros serviços via internet. Seu papel, nos dias atuais, é garantir a segurança do bem mais importante que qualquer empresa tem a informação.  Graças a ele se poder confiar nessa informação.

Suas funções são amplas, pois muita coisa agora pode ser realizada online graças a essa identificação. Tudo isso compete, principalmente, ao meio administrativo em contábil. Para falar mais sobre o assunto, entrevistamos Leonardo Gonçalves, Diretor de Varejo e Canais da Certisign, a Autoridade Certificadora Líder da América Latina e especialista em identidade digital.

Ele é graduado em Ciências da Computação e pós-graduado em Gestão de Negócios, além de possuir 16 anos de experiência na área comercia.

Qual a importância da certificação digital para o mercado e a segurança digital?

O Certificado Digital é um documento de identificação de uma pessoa ou de uma empresa no mundo virtual. Ou seja, a partir do momento que você o utiliza, seja para assinar um documento, seja para entrar em um site, está, de forma segura, informando que é você que está fazendo aquela determinada ação. Além disso, todas as ações realizadas com o Certificado Digital têm validade jurídica e não podem ser repudiadas. Em resumo, por atestar a identidade no meio eletrônico, ele concede segurança para quem está usufruindo de um serviço, por exemplo, e para quem oferece a aplicação. O Certificado garante a autenticidade das transações realizadas por meio dele.

Aos poucos, a cerificação digital tem se tornado obrigatória para algumas categorias de empresas, como as que se enquadram no Simples Nacional, recentemente. Há projetos para que essa obrigatoriedade se expanda para mais categorias de empreendimentos?

Bem, eu não sou porta voz oficial do governo, mas eu acredito que sim, por conta dos benefícios. A Certificação Digital é exigida porque ela garante a autenticidade e a integridade das informações prestadas. Por identificar inquestionavelmente no ambiente eletrônico, ela viabiliza a transmissão dessas informações com segurança, tanto para governo, quanto para o empregador.

Como foi a receptividade desse processo para os empresários?

Foi satisfatória, uma vez que cada vez mais as pessoas estão cientes dos benefícios da tecnologia. Outro ponto importante, é que os empreendedores já conheciam o Certificado Digital porque muitos já o utilizavam para emitir notas fiscais eletrônicas, por exemplo.

Para se ter uma ideia da aderência à tecnologia, de acordo com a ANCD (Associação Nacional de Certificação Digital), hoje temos mais de 9 milhões de Certificados Digitais ativos no País e no ano passado foram emitidos mais de 3.2 milhões.

A certificação vem inovando ao longo dos anos, se adequando a novas tecnologias. O que mais mudou nesses últimos tempos e que teve grande impacto no meio digital e mercadológico?

Com certeza, a maneira de armazenar o Certificado Digital. No ano passado, a Certisign lançou no mercado o primeiro e único Certificado Digital que pode ser emitido e armazenado no celular ou tablet, o mobileID. Os principais benefícios são a comodidade, facilidade de uso – não é preciso instalar drivers ou atualizar sistemas – e, claro, a mobilidade. Quem tem mobileID pode assinar, por exemplo, um contrato enquanto espera um táxi. Com poucos cliques e validade jurídica, mas sem caneta e papel. Isso já era possível? Sim, mas o titular do Certificado teria que usar um computador e a mídia criptográfica, cartão/token. Com o Certificado no celular, ele só precisa de acesso à internet.

É muito complexo para a empresa estar sempre em dia com alterações legais e inovações tecnológicas? Como a Certisign lida com isso?

Para a Certisign não é complexo, é um desafio que a gente gosta de ter. Somos a Autoridade Certificadora que desenvolveu a tecnologia da Certificação Digital no Brasil. Está em nosso DNA inovar. Estamos sempre atentos às novas tecnologias e, na maior parte das vezes, somos nós que levamos ao mercado e aos nossos clientes as novidades. Em relação a questão de alterações legais, a Certisign tem uma área de Normas e Compliance que está sempre em contato com o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), autarquia federal que tem por missão manter e executar as políticas da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil.

Como uma das maiores do mundo, e atual líder América Latina, a empresa tem planos para expandir para mais mercados em breve?

Sim, nós estamos expandindo nossa atuação no exterior. Recentemente, inauguramos dois Pontos de Atendimento nos Estados Unidos, um na Florida e outro na Geórgia, e até fim de 2016 devemos abrir mais lojas em solo americano e iniciar a operação na Europa.

Vale dizer que a nossa estratégia de expansão também inclui o Brasil. Já estamos com mais de 2 mil Pontos de Atendimento em todo o País e crescemos em quantidade de lojas cerca de 10% a cada semestre. Ainda no mercado nacional, estamos aumentando nossa presença em shoppings, iniciativa que segue pioneira no mercado de Certificação. Já temos duas lojas em operação, uma no Shopping Eldorado (São Paulo, SP) e outra no Parque Dom Pedro Shopping (Campinas, SP) e, em breve, inauguraremos mais dois Pontos: Shopping Vila Olímpia (São Paulo) e no Cotia Shopping (Cotia – SP).

Como é esse desafio, dado que cada país tem uma legislação diferente? O que muda nos processos de certificação?

Sim, as legislações dos países são bem diferentes e cada uma possui a sua complexidade. Nos Estados Unidos, por exemplo, o nosso foco é o atendimento dos brasileiros, que residem ou estão de passagem no país, e dos americanos, que possuem alguma ligação comercial com o Brasil e que precisam de um Certificado Digital ICP-Brasil. Ou seja: emitimos nos Estados Unidos o mesmo Certificado Digital que é emitido aqui no País, seguindo a regulamentação da ICP-Brasil, porque o titular vai usá-lo para operações daqui do Brasil.

No Peru já é diferente. A Certisign foi credenciada pelo órgão público peruano INDECOPI (Instituto Nacional de Defesa da Concorrência e Proteção da Propriedade Intelectual) e está homologada a emitir Certificado Digital no País para transações no mercado peruano.

O que as empresas não obrigadas a usar certificação poderiam ganhar com isso se aderissem? Quais as vantagens?

Agilidade, sustentabilidade e redução de custos são as principais. Isso porque a Certificação Digital permite migrar processos físicos para o eletrônico. Vale dizer que muitas empresas, as quais já têm o Certificado, ainda não o utilizam com toda potencialidade.

Um exemplo de aplicação é a assinatura digital. Com o Certificado Digital ICP-Brasil é possível assinar qualquer documento com validade jurídica, com apenas alguns cliques, sem caneta e papel. Esse exemplo de aplicação está na rotina de qualquer empresário, do pequeno ao grande, porque todos, em algum momento, precisam formalizar contratos, por exemplo.

E se é sem caneta e papel, custos são reduzidos, porque não é preciso usar papel, ter espaço para armazenamento físico, se deslocar para assinar o documento, entre muitas outras etapas que são eliminadas com a migração do processo para o digital.

E é complicado? Não. Basta submeter o arquivo no portal de assinaturas e assinar usando o Certificado Digital.

De acordo com a ANCD, são mais de 2 mil ações que podem ser realizadas com um Certificado.

O que podemos esperar de novidade no setor?

Acredito que mais aplicações. Por conta dos benefícios proporcionados, cada vez mais as empresas e órgãos públicos vão utilizar o Certificado Digital como meio de identificação em seus sistemas e serviços.

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