Opinião

O que esperar do mercado financeiro: previsões e estimativas para 2017 e 2018

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Por Adão Lopes

O Brasil passa, atualmente, por um de seus momentos mais críticos em toda a história, sobretudo no que tange a economia que faz o país se movimentar. Já houve épocas semelhantes, piores e melhores, mas sempre tempos divisores de águas, moldadores de novos tempos.

Enquanto se descobre a profundidade de escândalos políticos e o país é impactado por novos escândalos e crises de confiança, aqueles no governo vão manobrando os mecanismos da economia de forma a tentar recuperar a estabilidade do país. Entre reformas, programas e medidas provisórias, os números começam a melhorar e se mostrar mais otimistas.

No começo de junho se previa melhora no PIB (Produto Interno Bruto) anual de 2017, e nas últimas medições isso já mudou, porém pouco. De um modo geral as coisas parecem estar melhorando. Ainda está bem ruim, mas a estabilidade está começando a permitir que alguns números mostrem um futuro melhor para o Brasil.

Como é de praxe, o Banco Central liberou mais um relatório de mercado, o Focus, na semana do dia 19 de junho, divulgando quais as estimativas envolvendo inflação e PIB para o ano corrente e para o ano que vem. A análise, realizada com diversas instituições financeiras preveem um recuo de 0,16% na inflação (passando de 3,64% para 3,48%), sendo essa a quarta queda seguida do indicador para 2017. Já o PIB, que vinha sendo considerado em 0,40% baixou sua estimativa para 0,39%.

Isso deixa a inflação abaixo da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional para o ano (4,5%). Entretanto, a meta é considerada formalmente cumprida se fica 1,5% abaixo ou acima da meta. A meta não é atingida desde 2009 no país.  Já o PIB, que confirmou a pior recessão da história, em 2016, de acordo com o IBGE, mais uma vez volta a cair – pouco, mas cai. Para 2018, as expectativas eram de ele chegar a 2,20%. Hoje é de 2,10%, ainda assim um crescimento considerável se comparado com 2017.

É preciso estar atento a esses valores, pois eles são os principais indicadores da saúde financeira do país, e mostram se ele está melhorando ou piorando. Junto com eles, avalia-se sempre a taxa Selic, que indica os juros. Ela está prevista para fechar a 8,5% em 2017, uma previsão que mostra que se esperam reduções de juros. Atualmente, a taxa está 10,25%. Para 2018, se prevê estabilidade desses valores. É através de taxa de juros que o Banco Central manuseia e busca mediar a inflação. Taxas altas tendem a controlar preços, mas também prejudicam o consumo e muitas vezes geram desemprego.

Os números em inflação e juros são animadores, a despeito da queda no PIB. Apesar de atualizados semanalmente, eles são otimistas por diversos ângulos. No começo do mês, muito se falava sobre o crescimento econômico previsto para 0,5% para até o fim do ano, mesmo com as turbulências políticas que influenciam diretamente a confiança econômica do país.

No fim de junho, o dólar voltou a cair, e embora os especialistas ajam com cautela, talvez as coisas realmente tenham potencial de melhorar. O Focus é semanal, e realmente é complicado determinar se nessa semana estamos em alta ou em baixa, já que não sei quando você, leitor, está lendo essa publicação. Porém, o que podemos analisar de forma um pouco mais abrangente e atemporal, é que o positivo vem vencendo no último mês de junho, e um 2016 caótico ficou para trás.

O Novo Refis começa nesse mês de julho e muitas empresas irão injetar bilhões em dívidas de impostos em um país necessitado. Ainda há muito trabalho a ser feito, mas a expectativa é otimista. Vamos ver o que reserva os próximos meses. Cautela ainda é necessária, mas ações esperançosas também são alavancas econômicas, já que o mercado financeiro funciona verdadeiramente com um bem acima de todos os outros: a confiança.

Fontes: G1, Brasil.Gov

Tags : estimativasmercado financeiroprevisões